terça-feira, 25 de março de 2014

Obesidade e deficiência física

Obesidade: risco também para pessoas com deficiência

A quantidade de pessoas com excesso de peso aumenta em todo o mundo e esse número chega a ser duas ou três vezes maior entre pessoas com deficiência.
Foto mostra uma barriga grande de pessoa com uma fita métrica
Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)Site externo.divulgou, no segundo semestre de 2010, pesquisa que mostra que metade da população adulta do País (a partir de 20 anos) está acima do peso. No entanto, não existem estatísticas que indiquem se estes dados são maiores ou menores na população com deficiência – o que se sabe é que algumas deficiências ou algumas doenças acarretam mais chances de desenvolver a obesidade.

Em países como os Estados Unidos, a obesidade já vem sendo tratada como epidemia. No Brasil, essa mesma pesquisa do IBGE indicou que o excesso de peso em homens subiu consideravelmente, de 18,5% para 50,1%, em 2008-09, e o das mulheres, que era de 28,7%, foi para 48%. “Os índices de obesidade têm aumentado em todo o mundo, e não é diferente no Brasil. Inclusive, os indicadores apontam para o crescimento de obesos, não só entre adultos, como também no grupo de crianças e adolescentes. Atualmente, muitos fatores têm contribuído para isso, como maior sedentarismo, aumento no consumo de alimentos ricos em açúcares, gorduras e sal, lanches fast food, entre outros”, explica Solange de Oliveira Saavedra, gerente técnica do Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo e Mato Grosso do SulSite externo..

Vale lembrar o conceito que a medicina dá para a obesidade: “Obesidade é um distúrbio da composição corporal definido pelo excesso absoluto ou relativo de gordura corporal e caracterizado por diversas manifestações clínicas singulares. Também pode ser medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC) – peso da pessoa dividido por sua altura ao quadrado – acima de 30”, explica Dr. Cley Rocha de Farias, médico endocrinologista do Hospital das Clínicas da FMUSPSite externo..

Com as pessoas com deficiência, esse contexto não é diferente e, para alguns tipos de deficiência, é até pior. “A porcentagem de obesos é elevada, chegando a cerca de duas a três vezes maior, pois essa população tem o gasto energético diário diminuído, que, associado a motivos emocionais, aumenta a ingestão calórica”, explica Dra. Cláudia Cozer, endocrinologista e membro da diretoria da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO)Site externo.. Ela lembra também que algumas situações aumentam as chances de a pessoa ter excesso de peso, como Síndrome de Down eTurnerSite externo., acidentes na coluna vertebral e doenças neuromusculares.

No caso da Síndrome de Down (SD), os pacientes tendem a apresentar um abdômen saliente e tecido adiposo (gorduroso) abundante. “Além disso, eles têm dificuldades para se alimentar e para deglutir, o que pode afetar o seu estado nutricional. Mesmo assim, essas pessoas tem grande probabilidade de apresentar um alto índice de problemas de sobrepeso e obesidade, mesmo com ingestão insuficiente de vitaminas e minerais”, afirma Solange.

Segundo a nutricionista, outro fator que contribui diretamente para essa tendência de excesso de peso é que os indivíduos com Síndrome de Down apresentam um metabolismo basal - quantidade calórica ou energética que o corpo utiliza durante o repouso para o funcionamento de todos os órgãos - cerca de 10 a 15% mais baixo em relação a outros grupos da população. “Como consequência, as crianças com Síndrome de Down gastam menos energia e estarão sujeitas a um ganho maior de peso, podendo chegar à obesidade. Além disso, existe uma tendência a hiperfagia – ingestão compulsiva de alimentos – e episódios compulsivos por alteração no centro hipotalâmico da fome/saciedade, além de terem menor tônus muscular e menor metabolismo”, explica a Dra. Cláudia Cozer.

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